Territórios
De Futuros
Territórios são grupos de sinais que indicam um novo fenômeno mercadológico
(e uma possível aposta para a sua estratégia multidimensional).
Territórios são grupos de sinais que indicam um novo fenômeno mercadológico
(e uma possível aposta para a sua estratégia multidimensional).
Intro
Se você perguntar para a Aerolito se o futuro da alimentação é orgânico ou sintético, você vai nos ouvir dizer: os dois, e mais infinitos tons de cinza. Ambos os futuros estão, de fato, se tornando presente. Só que, apesar de ocuparem diferentes espaços, eles não se anulam. Assim como não anulam outros, que também estão em curso, e que não moram nesses dois extremos. Dê um Google e veja como é fácil encontrar sinais que indicam a volta do presencial como grande tendência do trabalho. Agora, enviese a sua busca para outro lado. E veja como é igualmente fácil detectar sinais que indicam o remoto como grande tendência do trabalho. Se tiver tempo, você pode fazer um terceiro exercício. Há inúmeros sinais que indicam o híbrido como a grande tendência do trabalho. Se há matéria-prima para validar qualquer um dos três, qual deve ser eleito o vencedor?
É por isso que a Aerolito não gosta tanto de indicar a tendência que você deve seguir. A gente prefere ir mais pela linha de apresentar possibilidades que você pode apostar. Inclusive, para empresas líderes, esse tema é ainda mais sensível. Porque a simples aposta num determinado caminho transforma o que antes era possibilidade numa tendência. A Aerolito acredita em futuros, no plural. Portanto, a gente sugere que você não interprete os nossos conteúdos como tendências. Isso, que pode parecer apenas uma tecnicalidade, faz toda a diferença na hora de consumir as nossas indicações. Mas, principalmente, na hora de decidir qual realidade vamos construir.
Não-tendência
Não-tendência é o termo que a Aerolito cunhou para nomear sua postura editorial. Em vez de prescrever futuros inevitáveis, mapeamos territórios possíveis. Em vez de pedir adesão, devolvemos a escolha para quem lê.
A diferença pode parecer apenas de palavras. Mas é exatamente esse deslocamento que muda o jeito de consumir os nossos conteúdos — e, sobretudo, o jeito de decidir o que construir.
Tendência vs. Território
Lera Boroditsky, linguista cognitiva, demonstrou que a linguagem não apenas descreve o pensamento. Ela o molda. O jeito que falamos reflete e reforça o jeito que pensamos. Por isso, a Aerolito aboliu uma palavra do seu vocabulário: tendência.
Tendência pressupõe futuros que já estão a caminho, uma força maior que você precisa identificar e à qual precisa se adaptar. Ela coloniza a mente de quem a lê: estes são os futuros certos, adapte-se ou morra. A energia criativa que resulta disso é extrínseca. Você age porque alguém decretou que o mundo será assim, não porque você escolheu construir um mundo diferente.
No lugar de tendência, usamos território.
Território é um espaço que você pode escolher explorar. Ou não. Ninguém obriga você a entrar num território. Você decide, com base na sua visão de mundo e na sua capacidade do momento. A agência criativa permanece com quem lê, não com quem escreve.
Futuros, no plural
Se não existem futuros mais certos que outros, não faz sentido falar em o futuro, como se houvesse um destino único esperando por nós. A Aerolito trabalha com futuros, no plural. Apresentamos um mapa de territórios possíveis. O cliente navega, explora e escolhe onde quer construir.
Isso não é relativismo. É honestidade epistemológica.
Os futuros que constroem o presente
Thomas Frey, futurista e diretor do DaVinci Institute, formulou uma inversão fundamental: não é apenas o presente que constrói os futuros. Os futuros também constroem o presente. Decisões tomadas hoje são moldadas pela visão de amanhã que carregamos.
Mark Johnson complementa com uma advertência estratégica: Don't let structure get in the way of strategy. Toda vez que pensamos futuros pela lógica de que já temos X e precisamos fazer Y, quem define os futuros é o presente. A estrutura existente sequestra a estratégia.
A Aerolito inverte a ordem. Primeiro escolhemos o território. Depois decidimos o que fazer com a estrutura atual. Se adaptamos, se descartamos, se reconstruímos. Isso é o que chamamos de futures-back.
Profecia que se autorrealiza
Uma premissa incômoda, mas necessária: grandes empresas e futuristas guru com poder de mercado suficiente não identificam futuros. Eles os constroem e impõem.
Se a Ambev decide lançar uma cerveja de Cannabis, ela tem força de mercado suficiente para impor esse território ao setor. Não são futuros identificados. São futuros criados. Da mesma forma, quando um futurista de grande audiência declara que os futuros serão X, empresas acreditam e executam. A profecia se autorrealiza.
A Aerolito não é um oráculo. É um mapa de possibilidades. E a agência de construir esses futuros pertence a quem lê, não a quem escreve.